Durante muito tempo, comprar roupas de segunda mão foi visto por parte dos consumidores como uma alternativa restrita a nichos específicos. Nos últimos anos, porém, essa percepção começou a mudar de forma significativa. Impulsionado por discussões sobre sustentabilidade, consumo consciente e busca por economia, o mercado de second hand passou a ocupar um espaço cada vez mais relevante no varejo brasileiro.
O movimento acompanha uma transformação maior no comportamento de compra. Em vez de enxergar peças usadas apenas como opção mais barata, muitos consumidores passaram a associar esse mercado a um estilo de consumo mais inteligente, sustentável e alinhado a novas prioridades sociais e ambientais.
Second hand deixa de ser nicho e ganha escala no varejo
Esse amadurecimento do setor ajuda a explicar o crescimento de redes especializadas em moda circular. Entre elas está o Peça Rara Brechó, que vem ampliando sua presença no país em meio ao avanço desse mercado.
Com mais de 130 unidades em operação, a rede encerrou 2025 com crescimento de 25% no faturamento, resultado que reforça a consolidação do second hand como uma categoria cada vez mais competitiva dentro do varejo de moda.
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Segundo Matheus Andrade, o último ano foi importante para fortalecer a operação da companhia. “O ano de 2025 foi de ajustes importantes e retomada do crescimento. Reforçamos nossa estrutura de gestão, ampliamos nossa capacidade de execução e direcionamos investimentos para tecnologia, marketing e suporte à rede”, afirma.
O desempenho financeiro também veio acompanhado de ganhos operacionais. A empresa registrou redução de custos e aumento de rentabilidade nas unidades franqueadas, um indicador relevante em um setor que exige eficiência tanto na gestão de estoque quanto na curadoria de peças.
Mais do que crescimento em número de lojas, o avanço do Peça Rara reflete uma mudança estrutural na forma como o consumidor se relaciona com a moda. A lógica do “comprar, usar e descartar” vem perdendo espaço para modelos que valorizam reaproveitamento, circulação e extensão do ciclo de vida dos produtos.
Nesse contexto, a tecnologia passou a ter papel estratégico. O que antes era visto como um segmento quase artesanal agora incorpora digitalização, análise de dados e até inteligência artificial para escalar operações.
Uma das iniciativas recentes da rede utiliza IA e visão computacional para otimizar a triagem de peças destinadas à consignação. Na prática, isso reduz tempo de atendimento, melhora processos internos e aumenta a produtividade das unidades.
Tecnologia e sustentabilidade moldam nova fase do varejo
A combinação entre tecnologia e economia circular ajuda a explicar por que o second hand deixou de ser tratado como tendência passageira. Hoje, o setor já aparece como uma das vertentes mais dinâmicas do varejo global.
De acordo com projeções internacionais, o mercado mundial de roupas de segunda mão deve movimentar cifras cada vez mais expressivas até o fim da década, impulsionado especialmente por consumidores mais jovens. Gerações como millennials e Gen Z têm demonstrado maior abertura para modelos de consumo baseados em reutilização.
Esse comportamento também já aparece com força no Brasil. Consumidores buscam não apenas economia, mas produtos com maior valor percebido, exclusividade e menor impacto ambiental.
De olho nesse cenário, o Peça Rara iniciou uma nova etapa de expansão e estabeleceu a meta de alcançar 300 lojas até 2030, com foco especial nas regiões Sul e Sudeste. Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul aparecem entre os mercados prioritários.
A estratégia inclui ainda novos formatos de operação. Um dos principais movimentos é o modelo Pocket, pensado para cidades menores e operações mais enxutas, com menor investimento inicial e maior capilaridade.
Segundo Bruna Vasconi, o avanço da moda circular já representa uma mudança permanente. “A moda circular deixou de ser uma tendência de nicho para se tornar uma transformação permanente no comportamento de consumo. Nosso papel é combinar propósito, tecnologia e empreendedorismo para oferecer uma experiência cada vez melhor aos clientes”, diz.
O crescimento desse mercado mostra que o varejo de moda atravessa uma transformação profunda. Em um cenário cada vez mais atento a sustentabilidade e eficiência, o second hand deixa de ser alternativa secundária para se consolidar como parte importante do futuro do consumo.
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